2 em 1 e não é promoção.
Depois do trem ter passado dormi tranquilamente. Acordei com o tempo meio nublado e fui dormir tomar meu café da manhã.
Tudo correndo normalmente até pegar o GPS e ele não ligar.
De novo? Sim.
Dei uma olhada rápida no Google Maps e vi que dava pra ir na cara e coragem.
Como o tempo não se decidia se chovia ou fazia sol, passei protetor solar e coloquei capa de chuva.
Com todas as tralhas na bike saí pro pedal.
Seria um tiro curto, mas quem disse que seria fácil?
Um trecho com algumas subidas sem acostamento. Parei algumas vezes para caminhões passarem. Melhor garantir minha integridade.
Depois das subidas, cheguei a uns trechos de floresta, e com o sol encoberto a temperatura caiu drasticamente. Sorte que já havia me preparado e estava com a luvas de neve.
Sem GPS eu não sabia em que ponto do trajeto estava, então parei para ver no celular, e já tinha passado da metade.


Desse ponto pra frente foi um desespero.
Bateu uma vontade de fazer xixi e não tinha nenhuma cidade perto.
Por que eu não fiz na estrada? Não parava de passar carro e não achava algum lugar mais escondido.
Nunca pedalei tão rápido. Já estava perto de Waiinu Beach, quando o vento começou.
Com a vontade que eu tava de ir no banheiro, não teve vento que segurasse, e logo cheguei no camping.
Após ter me aliviado, fui ver onde montar a barraca.
Estava ventando muito, então montei a barraca ao lado de uns arbustos , coloquei as coisas dentro, e começou um temporal.

Passada a chuva, dei um pulo na praia. Detalhe para a areia preta.


Logo depois a chuva voltou. Chuva intermitente que durou o dia e a noite toda, mas não atrapalhou meu sono.
Hoje acordei e a chuva tinha parado, mas não o vento.
Melhor dizendo, o vento mudou de lado, e os arbustos não protegiam mais a barraca, que ficou toda desengonçada.
Lembro que quando acordei senti um cheiro de pipoca, mas não tinha pipoca nenhuma, e estou com vontade de comer pipoca até agora.
Tomei café dentro da barraca, arrumei minhas coisas, e saí pro pedal.
No caminho eu deveria depositar o valor do camping em uma caixinha, que estaria em uma placa.
Acontece que eu vi um valor antes de ir, e chegando lá tinha subido.
Até pensei em depositar o valor antigo, já que o camping não tinha tanta estrutura que justificasse o novo preço.
Mas o que é certo, é certo. Parei na placa para depositar o valor correto, e ouvi um grito de longe.
Um senhor, o dono do camping, dizendo que eu não precisava pagar nada, já que a noite anterior havia chovido, feito frio, e muito vento.
Mesmo eu falando que o correto seria eu pagar, ele insistiu que não, e me desejou boa viagem.
Sempre faça o certo, mesmo que ninguém esteja olhando.
Continuei viagem, e como num passe de mágica meu GPS ligou, mas ainda faltava pedalar um pouco.
Ao chegar em Waverley, cidade que dá o nome a praia, parei no mercado, abasteci o estoque de comida e prossegui.
Da cidade até a praia seriam apenas 8km, ou cerca de 30 minutos.
Agora são os ventos me perseguem, não as chuvas, e isso aumentou meu tempo até chegar ao camping.
Ao chegar tive uma surpresa, uma placa dizendo que para ter o código de acesso a cozinha e banheiro, eu deveria ir até a biblioteca da cidade.
Essa biblioteca é onde pensei em fazer o pagamento quando fosse embora.
Só me faltava ter que pedalar mais 16km.
Olhei e no rodapé tinha um 0800, não perdi tempo, só precisei achar um local que desse área no telefone.
Nem precisei me explicar muito e a atendente passou o código e disse que tudo bem eu passar pagar depois.
Maravilha, tomei um banho, fiz meu almoço e passei a tarde sentado numa cadeira de balanço do lado da cozinha.
Enquanto escrevia este post, algo que não sei o que é passou correndo pelo chão do lado da cadeira, e foi pra algum lugar que não vi.
Mesmo não sabendo o que era fui pra barraca e tive uma bela noite de sono.
