O Regresso

As estatísticas após quase 90 dias em solo neozelandês:

  • 3175 km pedalados em 56 dias
  • 2175 km de carro em 12 dias
  • 2 pneus furados
  • 0 gripes ou doenças
  • 20kg a menos de peso
  • inúmeras pessoas generosas
  • 63 campings, lagos, parques onde dormi

Mas mais que números, essa viagem foi uma escola.

Passar tanto tempo longe da minha família e amigos foi difícil.

Mais difícil do que eu imaginava que poderia ser.

Tive que aprender a acordar, passar o dia e ir dormir sem ver ou falar com alguém conhecido.

Houve dias que o “onde o filho chora e a mãe não ve” se tornaram reais.

Pedalar por estradas desconhecidas, com grandes caminhões dividindo faixas estreitas exigiram grande concentração e me fizeram esquecer o medo.

Medo do novo, do inesperado, de me arrepender por não tentar, me acompanharam, mas não me venceram.

Seja num banho frio, numa estrada não prevista, numa pessoa desconhecida, eu tentei.

Erros e problemas não eram obstáculos para me parar, e sim metas a serem vencidas.

Não foram todos os dias que eu sorri. Mas se um dia eu acordava desanimado ou triste, no próximo eu teria que me entregar em dobro.

Quando planejei esta viagem, ou aventura, eu acreditava que ela seria sobre lugares, praias, montanhas, cenários paradisíacos.

Mais do que isso, ela era sobre pessoas.

Pessoas que sem me conhecer me convidaram para suas casas.

Pessoas que me ajudaram sem querer algo em troca.

Mas a pessoa mais importante que eu conheci nessa viagem tem um nome, João.

Olhar para o passado, para meua erros, e assumi-los, foi de grande valia para meu auto conhecimento.

Posso não ser merecedor de tudo que vivi aqui, mas sou eternamente grato, e tenho certeza que o João do futuro irá colher os frutos.

Pra finalizar deixo meu obrigado para as pessoas que leram o blog, torceram por mim(ou contra), viram minhas fotos, e me mandaram alguma mensagem.

For my non Portuguese friends.Statistics after almost 90 days on New Zealand

  • 3175 km cycled in 56 days
  • 2175 km by car in 12 days
  • 2 scratch tires
  • no flu or illness
  • 20kg less than weight
  • countless generous people
  • 63 campsites, lakes, parks where I slept

Spending so much time away from my family and friends was difficult.
Harder than I imagined it could be.

I had to learn to wake up, to spend the day and go to sleep without seeing or talking to someone I knew.

There have been days when the “where the child cries and the mother does not see” have become real.

Cycling along unknown roads, with large trucks dividing narrow lanes demanded great concentration and made me forget the fear.

Fear of the new, of the unexpected, of regret for not trying, accompanied me, but did not overcome me.

Whether in a cold bath, on an unforeseen road, in an unknown person, I tried.

Mistakes and problems were not obstacles to stop me, but goals to be overcome.

It was not every day that I smiled. But if one day I would wake up despondent or sad, the next I would have to give myself twice as much.

When I planned this trip, or adventure, I believed it would be about places, beaches, mountains, paradisiacal settings.

More than that, it was about people.

People who invited me to their homes without knew me.

People who helped me without wanting something in return.

But the most important person I met on this trip has a name, João.
Looking back, at my mistakes, and assuming them, was of great value to my self-knowledge.

I may not be worthy of everything I have lived here, but I am eternally grateful, and I am sure that João of the future will reap the reward.

To conclude I leave my thanks to the people who read the blog, cheered for me (or against), saw my photos, and sent me some message.

1 comentário em “O Regresso”

  1. Cai aqui de pára-quedas, e acompanhei as últimas semanas da sua aventura, em muito pontos de suas publicações eu refletia que era essa uma viagem de auto descoberta, auto superação, auto conhecimento, mas do que conhecer belos lugares, era vc, a natureza e suas reflexões… e no meio do caminho muitas aventuras, desafios, e pessoas de bem.
    Admirei cada passo que vc deu, pq nem todos nós conseguimos sair da zona de conforto e enfrentar o desconhecido, se aventurar sozinho por lugares desconhecidos, longe daquilo que nos trás sensação de ser seguro.
    Quem sabe um dia irei me aventurar também, e descobrir que limites eu posso alcançar e superar!
    Sua jornada chegou ao fim, mas tudo que viveu vai te acompanhar pro resto da vida, a gente ficou só com um pedacinho do que foi essa viagem pra vc!
    Boa sorte, e obrigado por dividir um pouco só que viveu, foi inspirador!

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